
BOA ID
Os Agentes Especiais de Investigação neerlandeses (BOAs) — desde inspetores de bilhetes a fiscalização ambiental — identificaram-se historicamente através de um crachá plástico. Se o perder, qualquer pessoa se pode fazer passar por si; se o mostrar, revela o seu nome completo a todos os cidadãos com quem interage. Em conjunto com a Justis, a RET e a iniciativa INSIGNE, a Credenco desenvolveu o primeiro BOA ID digital: uma Verifiable Credential emitida pela Justis, transportada no telemóvel do agente e verificável por qualquer cidadão através de uma simples leitura de QR. Autenticidade, divulgação seletiva e revogação instantânea — construído sobre normas abertas, testado com 20 BOAs na RET Rotterdam.
O Desafio
Existem cerca de 24.000 BOAs nos Países Baixos — inspetores de transportes públicos, fiscalização de estacionamento, guardas florestais, polícia portuária e muitos outros. Cada um transporta um crachá físico emitido pela Justis. Sobre esse crachá assentam dois problemas estruturais:
- Suscetível a fraude. Um crachá perdido ou roubado pode ser utilizado por qualquer pessoa. Os cidadãos não têm forma de verificar se o titular é um BOA real e atualmente acreditado.
- Sensível em termos de privacidade. O crachá mostra o nome completo do BOA. Cidadãos hostis usam essa informação para localizar agentes, assediá-los junto de casa ou visar as suas famílias.
- Emissão lenta e dispendiosa. Imprimir, enviar, ativar e revogar crachás físicos é uma cadeia logística que demora dias.
- Sem forma de revogar. Uma vez em circulação, a Justis não dispõe de um mecanismo em tempo real para o invalidar aos olhos do público.
O Ministério da Justiça e Segurança pretendia uma alternativa digital que eliminasse estes riscos, preservando a confiança que o crachá físico transmite — e, de preferência, acrescentando novas capacidades pelo caminho.
A Solução
A plataforma INSIGNE substitui o crachá plástico por uma Verifiable Credential emitida pela Justis, transportada no telemóvel do BOA e verificável por qualquer cidadão — sem necessidade de instalar nada.
1. Emissão. A Justis utiliza um portal web para emitir um BOA ID digital como Verifiable Credential, assinada com o DID da própria Justis. O BOA recebe um e-mail com um código de referência e, separadamente, um PIN. Instala a aplicação INSIGNE, introduz o PIN e a credencial fica armazenada de forma encriptada no dispositivo — com um fluxo de recuperação por frase-semente em caso de perda do dispositivo.
2. Identificação. Quando o BOA precisa de se identificar, abre a aplicação, escolhe que atributos partilhar (número de crachá, fotografia, âmbito de autoridade) e desbloqueia com biometria. A aplicação gera uma Verifiable Presentation de curta duração.
3. Verificação. O cidadão digitaliza o código QR no ecrã do BOA com a câmara predefinida do telemóvel — sem necessidade de aplicação. O QR contém uma ligação encriptada para uma página alojada pelo Ministério que mostra os atributos selecionados do BOA, o estado de autenticidade e a validade atual. A apresentação expira ao fim de 15 minutos e é utilizada, no máximo, uma vez.
4. Revogação. A Justis pode revogar um BOA ID a partir do Portal do Emissor. A verificação seguinte — online, em segundos — comunica a credencial como inválida.
Todo o fluxo assenta em Decentralized Identifiers e Verifiable Credentials do W3C, pelo que a mesma credencial pode ser utilizada em qualquer verificador compatível e está pronta para a implementação da European Digital Identity Wallet.
O BOA ID em ação. O vídeo abaixo mostra BOAs a utilizar a aplicação INSIGNE para partilhar a sua credencial; um cidadão pode digitalizar o QR com a câmara do seu próprio telemóvel para verificar se o crachá é válido.
O Papel da Credenco
A Credenco entregou toda a stack INSIGNE para o piloto Justis-RET, desde a aplicação móvel ao Portal do Emissor, passando pelo serviço de verificação. Âmbito:
- Aplicação móvel INSIGNE para iOS e Android — armazenamento de credenciais, divulgação seletiva, desbloqueio biométrico, proteções offline.
- Portal do Emissor da Justis — aplicação web para emitir, reemitir e revogar credenciais BOA.
- Serviço de verificação — página pública que apresenta a Verifiable Presentation a qualquer cidadão que digitalize o QR, além de uma vista autenticada para outros agentes de fiscalização.
- Gestão de chaves apoiada em HSM no dispositivo móvel para as chaves privadas do BOA, com bloqueio automático caso o telemóvel permaneça offline demasiado tempo.
- Revogação e registo de auditoria — quem emitiu, quem ativou, quem visualizou e quando.
- Arquitetura de privacidade desde a conceção — Verifiable Presentations encriptadas em repouso, eliminadas após uma visualização ou 15 minutos, e nunca associadas à identidade do cidadão verificador.
Resumo
Setor
Público · Fiscalização e Identidade
Iniciativa
INSIGNE — BOA ID digital
Cliente final
Justis (Ministerie van Justitie en Veiligheid)
Parceiro piloto
RET Rotterdam — 20 BOAs
Normas
W3C DID · Verifiable Credentials · OID4VP
Como funciona um BOA ID digital
Quatro etapas, da Justis ao público — emissão, identificação, verificação e revogação.
1. Emitir
A Justis assina a credencial
A Justis emite uma Verifiable Credential para o BOA através do Portal do Emissor, assinada com o DID da Justis.
2. Ativar
O BOA configura a aplicação
O BOA recebe um código de referência e um PIN, instala a aplicação INSIGNE, introduz o PIN e a credencial fica armazenada de forma encriptada no dispositivo.
3. Identificar
QR seletivo em serviço
O BOA seleciona que atributos partilhar e gera um QR. Um cidadão digitaliza-o com a câmara do telemóvel — sem necessidade de aplicação.
4. Verificar
Verificação de autenticidade em tempo real
O cidadão acede a uma página de verificação alojada pelo Ministério, que mostra a autenticidade, a validade e os atributos partilhados. Revogado? A página indica-o.
O consórcio
Uma equipa focada: a Justis como entidade emissora, a RET Rotterdam como empregador piloto, e a Credenco como parceiro tecnológico responsável por toda a stack INSIGNE.

Cliente final e entidade emissora
Justis

Parceiro piloto e empregador dos BOAs
RET Rotterdam
Aplicação móvel, Portal do Emissor e backend da wallet
Credenco
Impacto
O que muda quando o crachá plástico se torna uma Verifiable Credential.
Fim dos crachás físicos perdidos
Um crachá BOA físico perdido podia anteriormente ser utilizado por qualquer pessoa. Um BOA ID digital pode ser revogado instantaneamente a partir do Portal do Emissor — e o cidadão que o verifica vê sempre o estado de revogação em tempo real.
Privacidade desde a conceção
O crachá físico mostra o nome completo do BOA e outros dados pessoais a qualquer membro do público. O BOA ID digital permite ao agente escolher quais os atributos a partilhar — prova de autoridade sem exposição desnecessária.
Verificável por qualquer cidadão
Os cidadãos digitalizam o código QR no ecrã do agente com a câmara do telemóvel — sem necessidade de aplicação. Um sítio alojado pelo Ministério da Justiça e Segurança mostra a autenticidade, a validade e os atributos selecionados.
Emissão mais rápida e económica
A emissão digital elimina a logística de impressão e envio dos crachás físicos. A Justis emite uma Verifiable Credential em segundos; o BOA ativa-a no telemóvel com um PIN.
Perspetivas Futuras
O modelo INSIGNE vai muito além dos BOAs. Qualquer credencial emitida por uma autoridade pública — identificação policial, licenças de veículos, certificados VOG, licenças de armas — pode seguir o mesmo modelo: emitida pela fonte autoritativa, transportada numa wallet, divulgada seletivamente e verificável por qualquer pessoa. À medida que a European Digital Identity Wallet avança, o mesmo BOA ID torna-se portátil entre Estados-Membros, interoperável com outras wallets e preparado para a cooperação transfronteiriça em matéria de fiscalização.